Leilão da BR-040 é ganho por um consórcio francês, abrangendo o trecho entre Belo Horizonte e Goiás

Leilão da BR-040 é ganho por um consórcio francês, abrangendo o trecho entre Belo Horizonte e Goiás

O trecho da BR-040 entre Cristalina-GO e Belo Horizonte foi concedido à iniciativa privada em leilão realizado na bolsa de valores em São Paulo na tarde desta quinta-feira (26/9). A empresa francesa Vinci Highways ganhou o direito de operar a pista pelos próximos 30 anos ao oferecer a maior taxa de desconto na tarifa básica de pedágio prevista no edital.

A Vinci Highways ofereceu 14,32% de desconto sobre a tarifa básica de pedágio prevista no edital de privatização. Com o lance, a francesa se saiu melhor que o fundo BTG Pactual Infraestrutura, que propôs uma cobrança 7,5% menor nos pedágios; o consórcio Nova BR-040, com 9,09%; e a CCR SA, que apresentou desconto de 1,75%.

O grupo francês é uma subsidiária da Vinci Concessions, que atua primordialmente com a administração de aeroportos, atividade que opera em 13 países, incluindo o Brasil, na Bahia, em Roraima, no Acre, no Amazonas e em Rondônia. Em 2022, a empresa comprou parte do grupo Entrevias, que opera 570 quilômetros de estradas estaduais em São Paulo.

O trecho da BR-040 que liga a capital mineira ao estado de Goiás é conhecido como “Rota dos Cristais” e terá sete praças de pedágio com preços fixados no edital que variam entre R$ 12,39 e R$ 16,94 para veículos simples.

A ANTT não divulga o cálculo dos preços a partir da taxa de desconto vencedora do leilão, já que as cifras oficiais serão determinadas após a assinatura do contrato. Ainda assim, a partir dos 14,32% de deságio oferecido pela Vinci Highways, é possível mensurar as cobranças que serão praticadas na rodovia.

Em Paracatu, o preço aproximado com o desconto será de R$ 10,62; em Lagoa Grande, de R$ 10,73; em João Pinheiro, de R$ 10,90; em São Gonçalo do Abaeté, de R$ 10,73; em Felixlândia, de R$ 10,74; em Curvelo, R$ 10,96; e em Capim Branco, de R$ 14,51.

Investimento

Novata em leilões no Brasil, a Vinci Highways precisará desembolsar grandes quantias para atender ao contrato de privatização da Rota dos Cristais. Dos R$ 12 bilhões em investimentos previstos no edital, R$ 6,4 bilhões serão destinados a obras de infraestrutura e outros R$ 5,6 bilhões em gastos operacionais ao longo de 30 anos de administração da estrada.

O trecho concedido tem 594,8 quilômetros de extensão. Ao longo da via, serão realizadas obras de duplicação de 9,9 quilômetros, a construção de 342 quilômetros de faixa adicional e 61,6 km de vias marginais. O grupo francês terá ainda a atribuição de construir três passarelas de pedestres, 18 passagens de fauna, 272 pontos de ônibus e dois pontos de parada de descanso para os motoristas.

O cálculo do Ministério dos Transportes estima uma geração de 94 mil postos de trabalho diretos e indiretos com a concessão e os benefícios se estendem a mais de 4,2 milhões de pessoas beneficiadas. Todo o investimento, é claro, oferece lucro para a concessionária. O edital prevê uma taxa interna de retorno (TIR) de 9,21% ao ano em relação às cifras gastas.